Por Pedro Geraldo(Presidente da OAB-secção Valença)
Comentários diversos surgiram a partir das inaugurações das estátuas de EVA e ADÃO, com características não comuns àquelas imagens concebidas originariamente no Jardim do Éden, uma porque a EVA é representada por uma mulata com dotes avantajados e o Adão, como um senhor de meia idade, com traços marcantes do que o tempo faz com todos nós.
Por sua vez, a Sereia vai de encontro ao natural esperado, pois se apresenta de saia, motivo pelo qual, não podemos falar neste caso particular em contemporaneidade, já que o mundo se despe mais a cada dia.
Ao artista que as concebeu, somente posso elogiá-lo, pois foi muito criativo e provocador, uma vez que brincou com o padrão estético padronizado e tão valorizado, ao longo dos tempos na sociedade;
Aos que não gostaram, fica para ambas as partes, o criador das obras e os críticos de plantão, a liberdade de pensamento e da livre expressão, constitucionalmente protegidas.
Agora, quanto à municipalidade entender que, tão somente, a inauguração das referidas imagens proporcionará mais turismo para a nossa cidade, ou até mesmo, entender que o Adão e a Eva concebidos, independentemente de contemporaneidade e estética enviesada, simbolizam o paraíso, com certeza, de forma unânime e uníssona todos proclamarão: - Que o Paraíso não é aqui!!.
Valença, apesar de ser abençoada por Deus, pois tem uma natureza belíssima, um povo acolhedor e hospitaleiro, está distante dos versos cantados no hino em sua homenagem.
Posso citar alguns exemplos: - A insegurança pública está aflorada. Hoje, na propalada cidade de paz, teme-se pela vida, pelo patrimônio, pela liberdade de ir e vir. Os dados não são fictícios, as estatísticas da violência urbana assim denunciam.
Temos um trânsito caótico que não é municipalizado e não se sabe a quem recorrer, com sinaleiras quebradas fazendo aniversários consecutivos, sem quaisquer providências. Um transporte municipal que deixa muito a desejar, entre tantas outras mazelas.
Vivemos numa cidade sem planejamento urbanístico, com ruas estreitas e esburacadas, com coleta de lixo incipiente e sem uma adequada fiscalização das novas construções. Falta a criação de pólos de trabalhos, gerando automaticamente a falta de empregos. Não temos um calendário fixo de eventos que possam estimular a vinda dos turistas. E, a quem interessar possa – o Sistema de Saúde está bom? As Escolas? A Justiça? Enfim...Sua qualidade de vida?
Poderia discorrer sobre tantos outros problemas que são tratados no dia a dia pela população, mas a falta de dados concretos, estudados e analisados não me autoriza. Ai , eu sugiro: - polêmica por polêmica, vamos despir a Sereia, recriar o Caim e o Abel no dito Paraíso e, apreciar estarrecido, que se continuarem zombando com o que é verdadeiramente bom, não se cometerá apenas um fraticídio e sim um genocídio, porque definitivamente, embora poderia ser, mas não é, o PARAÍSO NÃO É AQUI!.
Vamos ao próximo evento, como sugestão talvez Lúcifer represente melhor o caos!!
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