Com o objetivo de organizar as cadeias produtivas do café e da cachaça, o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, visitou neste final de semana a cidade de Abaíra, localizada na Chapada Diamantina, onde prestigiou a 13ª. edição do Festival da Cachaça, que atraiu milhares de visitantes, impulsionando a economia da cidade e de toda a região.
Eduardo Salles acentua que uma das ações projetadas será a reforma de pequenos alambiques e unidades pós-colheita de café para modernizá-los e garantir uma maior produtividade com alto padrão de qualidade, e, também, a implantação de novas unidades processadoras de café com pequenos terreiros suspensos e despolpadeiras visando a produção de cafés de qualidade. O secretário cita que no caso da cana, uma medida será a implantação de unidades para a fabricação de açúcar mascavo, rapadura e álcool com utilização dos subprodutos para a alimentação animal e a geração de energia.
Conhecedor das dificuldades da cafeicultura baiana, já que presidiu por duas vezes a associação dos produtores antes de assumir a secretaria da Agricultura, Salles informa que o café produzido na região é prioridade da Seagri. Queremos resolver alguns problemas pontuais enfrentados pelos agricultores familiares, que constituem praticamente a totalidade dos produtores. O café da região é reconhecido como de excelente qualidade, exportado para mercados exigentes, e tem recebido diversas premiações em concursos nacionais e internacionais, argumenta o secretário da Agricultura.
A parceria com o MDA será fundamental para se avançar nestas metas e, por isso, já foi agendada uma reunião com o vice-governador Otto Alencar, o secretário Eduardo Salles, o ministro Afonso Florence, presidente e técnicos da EBDA, presidentes de associações e cooperativas de produtores para avançar nesse projeto.
Cachaça produz riqueza
O prefeito de Abaíra, João Hipólito, destaca que a visita do secretário e equipe de técnicos da Seagri vem somar-se aos esforços dos produtores e da Prefeitura em transformar a atividade da cadeia da cachaça em uma riqueza sólida para melhorar a qualidade de vida dos agricultores. Temos mais de 1.700 pequenos agricultores familiares produzindo cana-de-açúcar e seus derivados, principalmente a cachaça, em mais de 500 alambiques da região. O atual cenário é bom, mas precisamos incentivar o aparelhamento das agroindústrias, além de melhorar a infra-estrutura, principalmente no tocante à energia, afirma o prefeito de Abaíra. Ele destaca, também, o distrito de Catolés, onde se produz um café orgânico de excelente qualidade.
O prefeito de Piatã, Alencar Julião, assegura que a sustentação econômica da microrregião composta pelos municípios de Abaíra, Piatã, Jussiape e Mucugê, basicamente, se deve à cana-de-açúcar e seus derivados, e ao café. A cadeia da cana vem crescendo, os produtores estão sendo capacitados, e a visibilidade da cachaça dos quatro municípios da região comercializada com a marca Abaíra - é cada vez maior devido a sua qualidade. Precisamos abrir novos nichos de mercado para que o produtor seja melhor remunerado, defende Alencar Julião.
Festival da Cachaça
O chefe do escritório da EBDA de Abaíra e região, Nelson Luz Pereira, destaca que o festival da cachaça existe há 26 anos e contribui para a melhoria da qualidade de vida das famílias de agricultores envolvidas. Ele diz, também, que serve para chamar a atenção do poder público para a importância que a atividade representa para a economia da microrregião. Mais de 60% da economia dos quatro municípios é movida pela cadeia produtiva da cana e seus derivados rapadura, açúcar cristal e mascavo, vinagre e, especialmente, a cachaça, diz Pereira. É o caso do agricultor familiar Wildes Moreira, que produz em uma área de 6 hectares cerca de 5 mil litros de cachaça por ano, o que lhe dá uma renda de R$ 10 mil.
Segundo ele, entre as ações a serem desenvolvidas, o primeiro passo é tecnificar a cachaça e organizar os produtores de forma gradativa e constante. A novidade do festival este ano é o trabalho realizado pela EBDA com a Coopama, trazendo bovinos, suínos e aves que se alimentam exclusivamente com os resíduos gerados pela agroindústria. Além disso, temos o protótipo de uma coluna de álcool que está produzindo etanol também dos resíduos da produção de cachaça e pronto para ser utilizado com biocombustível. Tudo isso em função da agricultura familiar, destaca Pereira.
Ele salienta que a importância do festival da cachaça é tão grande, que faz a população dobrar de 5 mil para 10 mil pessoas nos dias do festejo. É um produto turístico da Chapada e deve entrar no calendário de eventos agropecuários da Seagri, comemora.
A força do café
Michael Freitas de Alcântara, diretor de expansão econômica da secretaria de Agricultura de Piatã, diz que a região produz de 18 mil a 20 mil sacas de 60 quilos de café por ano. Cada uma é comercializada por R$ 525,00 e que 33% dessa quantia é composta por cafés especiais, com preços variando de R$ 600,00 a R$ 1 mil a saca.
Piatã é conhecida mundialmente por seu café especial, exportado para mercados como Japão, Inglaterra, EUA, e Noruega. Tivemos épocas menos atrativas, mas atualmente os produtores vivem um bom momento devido à valorização dos preços dos cafés especiais, que estão com grande procura. Os estoques mundiais do produto estão baixos e algumas regiões produtoras no Brasil sofreram com geadas e secas. Nos próximos três anos a tendência do café é de alta e vamos aumentar nossa produção para 30 mil sacas anuais, diz Alcântara.
O secretário de Agricultura de Piatã, João Paulo Rodrigues Pina, concorda e diz que o Banco do Brasil destinou R$ 1 milhão, via Pronaf, para atender aos pequenos agricultores familiares. Além do café e cana-de-açúcar, temos a fruticultura maçã, ameixa, pêra, goiaba, e morango -, e um pouco de pecuária como principais atividades econômicas, elenca Pina.
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