terça-feira, 23 de agosto de 2011

PRODUTOS DA AGRICULTURA FAMILIAR COMPÕEM MERENDA DAS ESCOLAS ESTADUAIS

Foto by Google.
Farinha de mandioca, feijão, achocolatado com leite em pó, milho de munguzá, fubá de milho, leite em pó, manteiga, mel e flocão de milho são alimentos produzidos por mais de 1.200 integrantes de oito cooperativas de pequenos agricultores da Bahia, que passaram a compor o cardápio escolar de 271 unidades de ensino da rede estadual da capital e Região Metropolitana de Salvador (RMS).
Na manhã desta segunda-feira (22), os produtos que estavam armazenados no galpão da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário (EBDA), em Salvador, começaram a ser distribuídos nos colégios.
A iniciativa integra o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa Vida Melhor, lançado no início do mês, na capital baiana, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Na Bahia, a ação é executada pela Secretaria da Agricultura, Reforma Agrária e Irrigação (Seagri), por meio da Superintendência de Agricultura Familiar (Suaf) em parceria com a Secretaria da Educação (SEC) e a EBDA.
Coube à Suaf selecionar e credenciar as cooperativas que representam centenas de famílias do campo. Aos 68 anos, Judicael Oliveira é um dos 59 produtores de leite participantes da Cooperativa Mista Agropecuária de Baixa Grande (Coomab). Junto com a nora e dois filhos, ele faz a ordenha de 50 vacas numa pequena propriedade na zona rural do município. “Vender para a cooperativa fica mais fácil”.
Segundo o presidente da Coomab, João da Silva Oliveira, para beneficiar o leite produzido pelos cooperados de Baixa Grande e transformá-lo em pó, foi formalizada uma parceria com outra cooperativa. “O leite é coletado e resfriado aqui. O caminhão leva para a Cooperativa Central de Laticínios da Bahia (CCLB), em Feira de Santana, onde é secado, envasado e fracionado para ser distribuído entre as escolas”.
Desenvolvimento de crianças e jovens A diretora do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Classe 1), Carla Dias, informou que a entrega realizada, via EBDA, garante o cumprimento da programação da merenda conforme o cardápio previsto pela direção do colégio. “Ao recebermos a merenda diretamente do fornecedor, já licitada pela secretaria, fica mais tranquilo para a escola. É uma preocupação a menos ter que se mobilizar para buscar esse alimento lá fora”.
De acordo com a nutricionista da SEC, Rosana Lima, alguns alimentos produzidos pela agricultura familiar são fundamentais para o desenvolvimento de crianças e jovens. “O feijão é muito importante para combater as deficiências de ferro, causadoras da anemia, e o leite para suprir as necessidades de cálcio”.
A merenda preparada com produtos da agricultura familiar foi aprovada pelos estudantes. “Hoje de manhã teve leite achocolatado com biscoito e eu gostei”, disse a estudante da 5ª série (Classe 1), Quézia Ramos Silva, 11 anos.
Distribuição para 271 colégios estaduais - Os alimentos serão entregues a 271 unidades estaduais de ensino de Salvador e RMS, atendendo a mais de 240 mil alunos, e a expectativa é que a distribuição seja concluída em duas semanas.  Foram comprados 648,5 mil quilos de alimentos  por, aproximadamente, R$ 4,8 milhões. Cada produtor rural pode comercializar até R$ 9 mil.
O diretor de acesso a mercados e agregação de valor da Suaf, Jeandro Ribeiro, informou que os alimentos são oriundos de várias regiões da Bahia. “O achocolatado, por exemplo, vem de Ilhéus. O fubá de milho, de Irecê, e o mel vem da região do São Francisco, lá de Juazeiro”.
Segundo ele, são seguidos critérios rigorosos de armazenamento para que a qualidade dos produtos seja mantida. “Tivemos participação importante da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bahia (Unicafs), onde foi possível criar uma central de recebimento e distribuição desses produtos. Foi contratada uma empresa de logística para que os alimentos cheguem na data certa e não ocorra prejuízo nutricional”.
Todo o procedimento está previsto na Lei 11.947, que determina a utilização de no mínimo 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a alimentação escolar, por meio da compra de produtos da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações (cooperativas). O diretor-presidente da EBDA, Elionaldo de Faro, disse que a lei beneficia quem realmente não tinha oportunidades no mercado - o agricultor familiar.
“É um momento muito importante. Uma empresa do estado está viabilizando que os agricultores familiares da Bahia comecem a ter um processo de organização, da semente até a produção final, e entregar alimentos para a merenda dos estudantes da rede pública”.

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