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| Foto by Lúcia Correia Lima |
Na tarde desta sexta-feira, 27, em Salvador, a 9ª Plenária Estadual da CUT-BA Eduardo Bonfim realizou uma conferência sobre o papel do estado no desenvolvimento e na valorização do trabalho, mediada pelo presidente da CUT-BA, Martiniano Costa. Os palestrantes foram a supervisora técnica do DIEESE, Ana Georgina Dias, a presidente da Fetraf Nacional, Elisângela Araújo, o secretário estadual de Planejamento, Zezéu Ribeiro e o presidente do PT/BA, Jonas Paulo.
Ana Georgina fez uma análise de conjuntura e ressaltou o momento de incerteza da economia nacional e internacional, diante da crise que afeta fortemente a Europa e os Estados Unidos. Para ela, a preocupação é que o momento atual é diferente do que ocorreu em 2008. Ela citou as altas taxas de desemprego em países como a Espanha, em que já chega a 20% dos jovens.
O discurso de parte dos economistas e do governo de corte de gastos e de conter os aumentos reais conquistados pelos trabalhadores foi rechaçado por Ana Georgina, que considera que a inflação está aumentando por fatores diferentes. “É um discurso equivocado, pois de 2001 a 2010 o PIB acumulado do país aumentou em mais de 41% enquanto que a média de reajuste dado aos trabalhadores foi de apenas 3,13%”. O salário básico dos brasileiros deveria hoje ser de R$2.200,00 e sabemos que a maioria não recebe esse valor. Então a crise não está aqui”, disse.
Elisângela Araújo traçou um panorama sobre os desafios enfrentados no meio rural e os avanços nos últimos oito anos. Ela reclamou do tratamento diferenciado dado à agricultura familiar e ao agronegócio. Para ela, a agricultura familiar que é responsável por produzir 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, não deveria ter recursos infinitamente menores do que o agronegócio. “Enquanto eles têm crédito de R$107 bilhões, nós recebemos R$16 bilhões. Eles produzem grãos e nós alimentamos os brasileiros”, enfatizou.
Zezéu Ribeiro disse que os governos da presidente Dilma Rousseff e do governador Jaques Wagner atuam em arcos de alianças que incluem em sua composição setores contrários ao projeto defendido pelos trabalhadores. Para ele, é urgente enfrentar o desafio de avançar na reforma agrária, bem como impedir a privatização das empresas públicas.
Jonas Paulo defendeu a reforma política e o financiamento público de campanha para acabar com inúmeros problemas que se traduzem em escândalos que abalam o país. Ele colocou ainda que é preciso que os espaços políticos tenham mais representatividade de mulheres, negros e que o movimento social já conseguiu avanços levando um torneiro mecânico para a Presidência da República.(Daniella Sinotti -Asom CUT)

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