Até às 17 horas de hoje, 13 de junho, dia de Santo Antônio, santo casamenteiro, o jornalista Samuel Celestino ocupa o lugar do saudoso mestre do jornalismo Jorge Calmon na presidência da Associação Baiana de Imprensa. Logo em seguida, em solenidade programada para a sede da instituição, situada no edifício Ranulfo Oliveira, na Praça da Sé, um dos primeiros da cidade em linhas de arquitetura moderna, o presidente da Tribuna da Bahia, Antônio Walter Pinheiro, 65, estará casado definitivamente com a entidade, ao ser empossado como sexto presidente desta, após 24 anos de “noivado” ocupando o cargo de diretor financeiro.
Em seus planos, fazer avançar a entidade, tornando-a mais próxima da comunidade, sob o signo da ética e com foco na modernidade e na cultura.
O evento de posse da nova diretoria da entidade terá a presença do governador Jaques Wagner, prefeito João Henrique, de representantes de vários segmentos da sociedade, autoridades, dirigentes da mídia, convidados.
Por concretizar este casamento “com a união e o apoio de todos os companheiros”, Walter Pinheiro se diz “feliz” à frente desta instituição fundada há oito décadas, por poder “tratar de cultura, de educação, artes, algo que enobrece a todos” e aponta algumas das metas que nortearão a sua presença no próximo biênio como gestor da Associação Baiana de Imprensa, a qual deseja ver “em ebulição educativa, artística e cultural permanente:
"A reforma dos Estatutos, a continuação da reforma do prédio, a transformação deste num centro cultural de alto nível, a ampliação do quadro social, a integração com outras entidades da sociedade civil, procurando mais união com fortalecimento; a modernização dos seus sistemas de controle, digitalização dos seus acervos, enfim, estabelecer convênios com outras entidades civis, colocar a ABI com aquilo que ela tem de mais positivo, mais à disposição da comunidade.
Acho que conseguiremos realizar aquilo a que nos propomos”, enfatizou, acrescentando que o objetivo maior é contribuir para aprimorar a cultura e o ser humano.
Entretanto, ele afirma que “tudo fica em segundo plano, se a ameaça a liberdade de imprensa existir. Ela é o aspecto fundamental. Nós estaremos combatendo isso sempre, preservando e protegendo a atividade da prática jornalística”.
Com a postura de um diplomata e experiência de quem tem meio século de vida dedicado à comunicação, pois desde a fase ginasial já se ocupava da feitura do mural da turma no colégio Marista como editor, o novo presidente da associação que representa os profissionais da imprensa baiana fala do início da sua trajetória profissional.
“Em todas as organizações, inclusive durante os 14 anos de minha atividade bancária, por que passei, eu sempre me ocupei em fazer house-organs, a princípio, usando até mimeógrafo, e depois procurando gráficas para imprimir. Fiz revistas para instituições, sempre escrevia textos como colaborador para jornais e percebia o dom que tinha para me comunicar, numa época em que jornal era efetivamente o grande canal”.
Com quatro netos, diz que ainda tem “o privilégio de ter a minha mãe viva, Olindina Pinheiro”, e lembra que, a partir de 1975, se incorporou ao Grupo Góes, liderado pelo jornalista e escritor Joaci Góes, fazendo um trabalho de planejamento para as empresas do grupo, que incluía a Tribuna da Bahia, então dirigida por Jairo Simões. Em 1980, com a saída do professor Simões para coordenar um mestrado de Economia, Pinheiro foi convidado para dirigir a TB, “enfrentando as dificuldades que todos bem conhecem”.
Em 1997, uma nova empresa foi constituída para tocar o projeto deste brioso jornal, sob a sua presidência. Nesse ínterim, entre 1988 a 1998, foi também diretor da TV Aratu, quando o sinal da emissora acabara de ser retirado da Globo para retransmissão da programação da TV Manchete.
Portanto, o voo solo de Antônio Walter Pinheiro como diretor- presidente da Tribuna da Bahia já dura 14 anos. Por indicação do saudoso amigo Jairo Simões, em 1986 se viu agregado à Associação Baiana de Imprensa, como diretor financeiro. Mais de duas décadas depois, assume a presidência da ABI, considerando que ter tido esta integração com a instituição, e ter participado da gestão do companheiro Samuel Celestino, algo que muito o satisfez e honrou.
“Pretendo manter e fortalecer a instituição seja nos seus aspectos patrimoniais e financeiros, e também da imagem, como o Samuel sempre procurou fazer, nunca se quedando às pressões, aos arremedos daqueles que empatem a liberdade da imprensa, sempre reagindo a este tipo de atitude maléfica’.
A data de posse do presidente Walter Pinheiro na ABI é também da concretização de um grande sonho: a entrega da Biblioteca Jorge Calmon, reformada, modernizada e com acervo à disposição de estudantes e pesquisadores. O auditório, para cerca de 150 pessoas, da mesma forma, passou por uma reforma, mas, no plano físico, ainda “há uma série de coisas por serem feitas. Assim fazendo como já acontece hoje, nós também estaremos contribuindo para a revitalização do Centro Histórico de Salvador.
Embora o prédio não seja uma peça histórica, é importante por se tratar de um equipamento de cultura e da imprensa”, ressalta. “Transformar este prédio num centro cultural, com uma instituição de grande porte como a ABI, vai ser um alvo permanente. Não é algo simples. É desafiador, mas muito nobre”, afirma.
Quanto à reforma do Estatuto, que data de 1986, o novo presidente reconhece que este precisa se adequar ao novo Código Civil e também à modernidade. “Quando eu falo nisso, eu destaco que até então, a ABI trouxe muito aquela cultura da imprensa do século 20. Só que nós estamos vivendo uma mudança muito grande e rápida. Antigamente imprensa era apenas jornal.
Depois passou a ser rádio e também televisão. Hoje, com a internet e as novas mídias, fica difícil de delimitar. O que está acontecendo no norte da África é uma demonstração que tem o celular, que é talvez o grande canal de distribuição de notícias deste novo tempo.
É difícil para poderosos, ditadores e tiranos, conter o celular, como eles fazem com jornais, televisões e até satélites. O surgimento destas novas plataformas, como o tablet, por exemplo, representam tecnologia que vem sendo incorporada na sociedade em favor do cidadão. O jornalista tem que ficar atento a estas mudanças que ocorrem’, diz.
O avanço tecnológico que beneficia a comunicação também gera novas formas de censura, fato que preocupa Walter Pinheiro “Nós temos isto aqui no país e até mesmo em municípios baianos, atitudes de governantes e políticos que agridem jornalistas. Tem havido esse processo de prepotência e de arrogância, de ameaças ao trabalho da imprensa, que cumpre o seu papel de revelar os fatos. É claro que fazemos questão de lembrar a todos que não há liberdade sem responsabilidade.
O sensacionalismo, o enfoque em fatos, a princípio negativos, que às vezes ameaça, até injustamente a honra das pessoas, é algo que não deve ser estimulado, mas combatido e contido por parte daqueles que atuam no jornalismo, na imprensa.
Estaremos atentos, primeiro pela defesa da prática do jornalismo e liberdade da imprensa e, em segundo tempo, também não pactuaremos com atitudes que sejam irresponsáveis. Irresponsabilidade em cima da liberdade termina virando licenciosidade”, disse.
Walter Pinheiro destaca que “teremos que agir, inclusive em convênio com outras entidades da sociedade civil, para que a gente preserve este direito que nós temos e que a Constituição assegura, da liberdade e da livre expressão do pensamento, que faz parte dos direitos fundamentais do cidadão.
Então a ABI, uma associação que tem como objetivo de preservar o trabalho do jornalista, não poderá estar desatenta a esses fatos, como, aliás, nunca esteve. Não podemos esquecer também que a democracia é uma tenra planta, que precisa ser permanentemente regada.
Não há democracia sem imprensa. Precisamos tocar ações que visem a preservação da moral, da ética, o combate a corrupção, com o estabelecimento de uma sociedade civilizada, onde as partes contrárias não sejam vistas como inimigas, mas adversárias.
Um bom jornalismo, bem praticado, ele contribui decisivamente pra isto. Felizmente hoje é possível se debater, se discutir, sem se temer pelas consequências, represálias e vinganças, como já aconteceu em outras épocas. Este clima de democracia é muito favorável à prática do jornalismo “, concluiu. Matéria da Tribuna da Bahia
Em seus planos, fazer avançar a entidade, tornando-a mais próxima da comunidade, sob o signo da ética e com foco na modernidade e na cultura.
O evento de posse da nova diretoria da entidade terá a presença do governador Jaques Wagner, prefeito João Henrique, de representantes de vários segmentos da sociedade, autoridades, dirigentes da mídia, convidados.
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| Walter Pinheiro toma posse na ABI. |
Por concretizar este casamento “com a união e o apoio de todos os companheiros”, Walter Pinheiro se diz “feliz” à frente desta instituição fundada há oito décadas, por poder “tratar de cultura, de educação, artes, algo que enobrece a todos” e aponta algumas das metas que nortearão a sua presença no próximo biênio como gestor da Associação Baiana de Imprensa, a qual deseja ver “em ebulição educativa, artística e cultural permanente:
"A reforma dos Estatutos, a continuação da reforma do prédio, a transformação deste num centro cultural de alto nível, a ampliação do quadro social, a integração com outras entidades da sociedade civil, procurando mais união com fortalecimento; a modernização dos seus sistemas de controle, digitalização dos seus acervos, enfim, estabelecer convênios com outras entidades civis, colocar a ABI com aquilo que ela tem de mais positivo, mais à disposição da comunidade.
Acho que conseguiremos realizar aquilo a que nos propomos”, enfatizou, acrescentando que o objetivo maior é contribuir para aprimorar a cultura e o ser humano.
Entretanto, ele afirma que “tudo fica em segundo plano, se a ameaça a liberdade de imprensa existir. Ela é o aspecto fundamental. Nós estaremos combatendo isso sempre, preservando e protegendo a atividade da prática jornalística”.
Com a postura de um diplomata e experiência de quem tem meio século de vida dedicado à comunicação, pois desde a fase ginasial já se ocupava da feitura do mural da turma no colégio Marista como editor, o novo presidente da associação que representa os profissionais da imprensa baiana fala do início da sua trajetória profissional.
“Em todas as organizações, inclusive durante os 14 anos de minha atividade bancária, por que passei, eu sempre me ocupei em fazer house-organs, a princípio, usando até mimeógrafo, e depois procurando gráficas para imprimir. Fiz revistas para instituições, sempre escrevia textos como colaborador para jornais e percebia o dom que tinha para me comunicar, numa época em que jornal era efetivamente o grande canal”.
Perfil do novo presidente
O executivo Walter Pinheiro, que há dez anos perdeu o pai, Antônio Pinheiro, é casado com Gel Pinheiro, “a grande estimuladora da vida”, e pai do engenheiro e empresário Antônio Walter Filho, e da médica oftalmologista Mariângela Pinheiro Guimarães.Com quatro netos, diz que ainda tem “o privilégio de ter a minha mãe viva, Olindina Pinheiro”, e lembra que, a partir de 1975, se incorporou ao Grupo Góes, liderado pelo jornalista e escritor Joaci Góes, fazendo um trabalho de planejamento para as empresas do grupo, que incluía a Tribuna da Bahia, então dirigida por Jairo Simões. Em 1980, com a saída do professor Simões para coordenar um mestrado de Economia, Pinheiro foi convidado para dirigir a TB, “enfrentando as dificuldades que todos bem conhecem”.
Em 1997, uma nova empresa foi constituída para tocar o projeto deste brioso jornal, sob a sua presidência. Nesse ínterim, entre 1988 a 1998, foi também diretor da TV Aratu, quando o sinal da emissora acabara de ser retirado da Globo para retransmissão da programação da TV Manchete.
Portanto, o voo solo de Antônio Walter Pinheiro como diretor- presidente da Tribuna da Bahia já dura 14 anos. Por indicação do saudoso amigo Jairo Simões, em 1986 se viu agregado à Associação Baiana de Imprensa, como diretor financeiro. Mais de duas décadas depois, assume a presidência da ABI, considerando que ter tido esta integração com a instituição, e ter participado da gestão do companheiro Samuel Celestino, algo que muito o satisfez e honrou.
“Pretendo manter e fortalecer a instituição seja nos seus aspectos patrimoniais e financeiros, e também da imagem, como o Samuel sempre procurou fazer, nunca se quedando às pressões, aos arremedos daqueles que empatem a liberdade da imprensa, sempre reagindo a este tipo de atitude maléfica’.
A data de posse do presidente Walter Pinheiro na ABI é também da concretização de um grande sonho: a entrega da Biblioteca Jorge Calmon, reformada, modernizada e com acervo à disposição de estudantes e pesquisadores. O auditório, para cerca de 150 pessoas, da mesma forma, passou por uma reforma, mas, no plano físico, ainda “há uma série de coisas por serem feitas. Assim fazendo como já acontece hoje, nós também estaremos contribuindo para a revitalização do Centro Histórico de Salvador.
Embora o prédio não seja uma peça histórica, é importante por se tratar de um equipamento de cultura e da imprensa”, ressalta. “Transformar este prédio num centro cultural, com uma instituição de grande porte como a ABI, vai ser um alvo permanente. Não é algo simples. É desafiador, mas muito nobre”, afirma.
Atento às novas mídias
O Museu da Imprensa, já em processo de instalação em área recuperada, na opinião de Walter Pinheiro, é “mais um elemento a valorizar o Centro Histórico”, assim como a ativação da Casa de Ruy Barbosa, localizada à Rua dos Sete Candeeiros (Ladeira da Praça), hoje sob concordata da Faculdade que também leva o nome do ‘Águia de Haia’.Quanto à reforma do Estatuto, que data de 1986, o novo presidente reconhece que este precisa se adequar ao novo Código Civil e também à modernidade. “Quando eu falo nisso, eu destaco que até então, a ABI trouxe muito aquela cultura da imprensa do século 20. Só que nós estamos vivendo uma mudança muito grande e rápida. Antigamente imprensa era apenas jornal.
Depois passou a ser rádio e também televisão. Hoje, com a internet e as novas mídias, fica difícil de delimitar. O que está acontecendo no norte da África é uma demonstração que tem o celular, que é talvez o grande canal de distribuição de notícias deste novo tempo.
É difícil para poderosos, ditadores e tiranos, conter o celular, como eles fazem com jornais, televisões e até satélites. O surgimento destas novas plataformas, como o tablet, por exemplo, representam tecnologia que vem sendo incorporada na sociedade em favor do cidadão. O jornalista tem que ficar atento a estas mudanças que ocorrem’, diz.
O avanço tecnológico que beneficia a comunicação também gera novas formas de censura, fato que preocupa Walter Pinheiro “Nós temos isto aqui no país e até mesmo em municípios baianos, atitudes de governantes e políticos que agridem jornalistas. Tem havido esse processo de prepotência e de arrogância, de ameaças ao trabalho da imprensa, que cumpre o seu papel de revelar os fatos. É claro que fazemos questão de lembrar a todos que não há liberdade sem responsabilidade.
O sensacionalismo, o enfoque em fatos, a princípio negativos, que às vezes ameaça, até injustamente a honra das pessoas, é algo que não deve ser estimulado, mas combatido e contido por parte daqueles que atuam no jornalismo, na imprensa.
Estaremos atentos, primeiro pela defesa da prática do jornalismo e liberdade da imprensa e, em segundo tempo, também não pactuaremos com atitudes que sejam irresponsáveis. Irresponsabilidade em cima da liberdade termina virando licenciosidade”, disse.
Walter Pinheiro destaca que “teremos que agir, inclusive em convênio com outras entidades da sociedade civil, para que a gente preserve este direito que nós temos e que a Constituição assegura, da liberdade e da livre expressão do pensamento, que faz parte dos direitos fundamentais do cidadão.
Então a ABI, uma associação que tem como objetivo de preservar o trabalho do jornalista, não poderá estar desatenta a esses fatos, como, aliás, nunca esteve. Não podemos esquecer também que a democracia é uma tenra planta, que precisa ser permanentemente regada.
Não há democracia sem imprensa. Precisamos tocar ações que visem a preservação da moral, da ética, o combate a corrupção, com o estabelecimento de uma sociedade civilizada, onde as partes contrárias não sejam vistas como inimigas, mas adversárias.
Um bom jornalismo, bem praticado, ele contribui decisivamente pra isto. Felizmente hoje é possível se debater, se discutir, sem se temer pelas consequências, represálias e vinganças, como já aconteceu em outras épocas. Este clima de democracia é muito favorável à prática do jornalismo “, concluiu. Matéria da Tribuna da Bahia

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